Seres humanos não diferenciavam a cor azul até pouco tempo atrás
No começo deste ano, a sensação entre as pessoas foi a discussão do vestido. Seria ele preto e azul ou branco e dourado? Mas vamos esquecer ele agora, já dei a resposta sobre o fenômeno do vestido e agora quero falar especificamente sobre a cor a azul.
Alguns pesquisadores começaram a seguir determinadas pistas que levavam a crer que o ser humano até pouco tempo atrás não reconhecia a cor azul. Pelo menos nos textos de civilizações antigas como hindu, chinesa ou os grega não havia citação e nem palavra para designar o azul.
A primeira pista surgiu no século XIX, quando o estudioso William Gladstone observou que Homero, autor da grande epopeia “Odisseia”, descrevia o mar como cor de “vinho escuro”, ou outros nomes e tons diferentes, mas nunca falava-se em azul.
Depois disso, vários pesquisadores foram atrás de textos para observar que realmente aqueles povos antigos não tinham uma palavra para o azul. Mas será que eles não enxergavam este tom? Qual era a cor do céu para eles?
Muitas respostas surgiram com esta dúvida sobre a nomeação da cor. Segundo estes primeiros pesquisadores, estes povos não usariam a denominação para cor azul porque eles não faziam nada que tivesse esta cor. Além dela estar presente no tom de coloração do céu, nada do que eles usavam era azul.
Isto é tão certo que a única civilização que tinha um nome para a cor azul eram a egípcia. Eles foram os primeiros a conseguir pigmentar tecidos utilizando colorantes azuis e por isso precisavam nomear aquela cor.
Mas até agora falamos muito sobre como as palavras surgem e não muito de Biologia. Porém, isto tem tudo a ver. Seguindo estes passos, os pesquisadores criaram a seguinte questão para o problema: se não temos um nome para uma coisa, nosso cérebro não consegue reconhecê-la?
Então os cientistas decidiram testar esta hipótese. Para isso, fizeram um experimento com pessoas da tribo Himba, um povo que habita o país da Namíbia, na África, e não tem nenhuma palavra para descrever o azul, mas mais de 11 para falar dos tons de verde.
O teste foi feito da seguinte maneira: as pessoas eram colocadas na frente de monitores com vários quadrados coloridos em verde e apenas um azul. Os pesquisadores perguntavam para a pessoa da tribo se ela conseguia diferenciar o quadrado que tinha cor diferente.
Os entrevistados não conseguiam dar a resposta de jeito nenhum, mostrando que sem a palavra para a cor, ela passa despercebida no meio de outras já conhecidas. Para testar se realmente existe esta diferença, os pesquisadores fizeram um teste parecido, mas agora com europeus, e queriam ver a capacidade deles em discernir entre os vários tons de verde.
Eles usaram a imagem abaixo e perguntaram para os participantes qual era o quadrado de tom diferente. Você saberia responder?
Enquanto os europeus não conseguiam diferenciar os tons de verde na imagem, as pessoas da tribo da Namíbia acertaram em todas as vezes. Na sequência, você pode ver a imagem com a resposta da pergunta acima.
Para deixar as coisas mais interessantes, em 2007, cientistas do MIT observaram que falantes de russo, que não têm uma palavra específica para azul, mas sim palavras para cada tom da cor, conseguiam discriminar muito melhor que os falantes em inglês as diferenças entre azuis mais claros e escuros.
Os estudos não querem dizer que antes não se enxergava a cor azul. O que estas pesquisas mostraram é que os nossos antepassados enxergavam as mesmas coisas que a gente, porém, a percepção era diferente. Ver e perceber, portanto, são coisas complementares e nosso cérebro só é capaz de perceber se houver uma base, neste caso a linguagem, para informar concretamente a qualidade das coisas.
Fonte: Science Alert






















